Digite para buscar em títulos, subtítulos e textos.

Mainstream23 SET 2026

Quase três em cada quatro cidades de Alagoas ainda não pagaram os compositores do São João 2026

Levantamento do Ecad aponta 73 municípios inadimplentes e dívida de cerca de R$ 7 milhões em direitos autorais das festas juninas

Foto: Patrick / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0 (esculturas de trio de forró em Caruaru, PE, imagem ilustrativa) · ver original · licença

Dois meses depois das festas juninas, 73 dos 102 municípios de Alagoas ainda não tinham pago os direitos autorais pelas músicas tocadas nas festas de São João de 2026. O dado é de um levantamento do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), divulgado em 26 de agosto, que estima a dívida em cerca de R$ 7 milhões. São cerca de 72% das cidades do estado.

Segundo o Ecad, oito municípios já foram acionados na Justiça e seguem sem regularizar a situação: Maceió, Arapiraca, Boca da Mata, Delmiro Gouveia, Ibateguara, Maragogi, Marechal Deodoro e Rio Largo. Os outros 65 estão em cobrança administrativa. A Folha de Alagoas, que noticiou o caso em 27 de agosto e fala em sete cidades acionadas, lembra o tamanho da festa na capital: só em cachês de atrações nacionais, Maceió gastou R$ 14,8 milhões, em um São João com cerca de 20 dias de programação e mais de 200 atrações. A reportagem não trouxe resposta da prefeitura.

A cobrança está prevista na Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98). Sempre que a música é executada em público, em show, festa ou festival, o evento precisa ser licenciado antes e o direito precisa ser pago, mesmo com entrada gratuita e sem fins lucrativos. Quando a prefeitura contrata uma produtora para organizar a festa, a responsabilidade continua sendo dela. De acordo com o Ecad, 85% do valor arrecadado vai para compositores, intérpretes, músicos e demais titulares, 6% ficam com as associações de música e 9% com o próprio Ecad.

“A festa termina, mas o direito do compositor não termina junto com ela”, afirmou Giselle Luz, gerente regional do Ecad em Alagoas, no comunicado da entidade.

O problema não é só alagoano: o próprio Ecad publica alertas parecidos a cada ciclo de festas públicas, sobre o São João no Maranhão e na Bahia e sobre o Carnaval no Sul do país. A conta mostra uma contradição do calendário junino. A prefeitura paga caro pelo show do artista nacional, mas deixa de pagar a quem escreveu as músicas que o público canta, e esse dinheiro é justamente o que chega ao compositor que não sobe ao palco. Para quem compõe, a lição prática é manter as obras cadastradas em uma associação de gestão coletiva, com os dados de autoria em dia: é esse cadastro que faz o dinheiro, quando é pago, chegar ao nome certo.

Newsletter

Receba a Catarse

As edições e os textos da revista, direto no seu e-mail.