JAOVAMP, o que não cabia na banda
Integrante do Lado Beco, ele estreia projeto solo em 14 de agosto como espaço pra um tipo de música que o coletivo não tinha lugar pra guardar.

Antes de ser um nome solo, JAOVAMP já é conhecido de outro lugar: integrante do Lado Beco, banda de Maringá que mistura rap e rock com discurso de crítica social e consciência de classe: projeto que, nesta mesma edição, aparece com álbum previsto pra setembro. É dentro dessa banda que ele constrói parte da própria identidade musical, ao lado de Coutinn, Mateus e Gabriel.
Mas banda é, por natureza, um projeto coletivo, e todo projeto coletivo tem uma identidade sonora e temática que, justamente por ser compartilhada, não cabe tudo dentro dela. Foi esse o gatilho real por trás do projeto solo: existiam músicas que ele queria fazer de um jeito mais pessoal, que não encontravam espaço dentro do que o Lado Beco é enquanto banda. Não é ruptura, é reconhecimento de limite: todo integrante de um coletivo eventualmente esbarra em algo que só faz sentido fora dele.
A virada, então, não foi trocar de banda, foi abrir uma segunda frente: um projeto individual pra abrigar esse excedente de expressão pessoal que o Lado Beco, com sua identidade própria e definida, não tinha como comportar.
O método de trabalho reforça essa diferença de propósito entre os dois projetos. Enquanto banda é, inevitavelmente, processo coletivo, o material solo nasce sozinho: voz e violão, no processo de composição, buscando referências propositalmente distantes do rock: o gênero que domina o outro projeto. É uma escolha consciente de sair da zona de conforto, não repetir no projeto individual o que já está resolvido na banda.
O primeiro single sai em 14 de agosto, mas ele já fala do que vem depois como algo maior que uma estreia isolada: mais músicas devem seguir esse primeiro lançamento, com a possibilidade de um EP no horizonte, e, segundo ele mesmo, “muita coisa guardada” ainda por mostrar. É a descrição de alguém que não está testando se tem material pra um projeto solo; está gerenciando um estoque de ideias que já existia antes da decisão de lançar.
O que fica mais interessante nesse perfil não é o contraste entre banda e carreira solo: é o que ele revela sobre como artistas de coletivo lidam com a própria voz individual. Nem tudo que se quer dizer cabe no projeto que já tem forma definida, e às vezes a solução não é forçar essa caixa a se esticar, é abrir outra, do lado.