Festival de Sanremo proíbe em 2027 canções em que a IA substitua o trabalho de autores e artistas
O regulamento da RAI exige que as músicas sejam "expressão da criatividade humana" e permite verificação tecnológica

A RAI, emissora pública italiana, publicou em 21 de setembro de 2026 o regulamento do Festival de Sanremo 2027, e uma das regras novas trata de inteligência artificial. As canções em competição, diz o texto, precisam ser expressão da criatividade humana, e não será permitido usar sistemas de IA quando isso significar a substituição, a alteração ou a descaracterização da contribuição criativa de autores e artistas. A regra vale para a criação da letra, da música e para a produção das faixas, segundo o jornal Il Sole 24 Ore.
O texto não proíbe a tecnologia em si, e sim o uso que toma o lugar de quem compõe. Para fazer valer a regra, a RAI e a direção artística se reservam o direito de usar qualquer meio tecnológico disponível para verificar se houve uso de IA. O regulamento não detalha que ferramentas serão essas.
Sanremo é a principal competição de canção da Itália e acontece de 16 a 20 de fevereiro de 2027, no Teatro Ariston, com 24 artistas na categoria principal e apresentação e direção artística de Stefano De Martino. Segundo a ESCToday, a edição terá também uma noite nova, a Serata Performance, em 19 de fevereiro, com júri internacional, e quem vencer essa noite representa a Itália no Eurovision 2027.
A Music Ally lembra que a regra acompanha a política adotada em 2026 pela FIMI, a entidade da indústria fonográfica italiana, para as paradas do país. Segundo a publicação, o diretor executivo da FIMI disse que o festival aceitou os pedidos da entidade. A decisão chega em um mês em que o tema domina o setor: em 20 de setembro, Universal e Sony abriram um segundo processo contra a Suno, empresa que gera música por IA.
Uma regra como essa esbarra em uma questão prática: como provar, depois de pronta, que uma faixa não teve IA no lugar do compositor. Para quem compõe fora das grandes estruturas, o recado é guardar o caminho da criação, com rascunhos, sessões de gravação, versões de letra e arquivos de projeto datados. Hoje isso já serve para registrar autoria; com festivais, paradas e plataformas passando a pedir garantias de criação humana, pode virar requisito para concorrer.